sábado, 11 de abril de 2015

Como “Game of Thrones” gasta seu dinheiro


O lançamento de “Game of Thrones” foi um tiro no escuro para a HBO. De certa forma, ao menos. Os livros escritos por George R. R. Martin tinham lá seu público, mas talvez não fosse o suficiente para atrair a quantidade de telespectadores que justificaria os altos gastos. Vender como uma versão para adultos de “O Senhor dos Anéis” (o que é, de alguma maneira, ainda que seja injusto com ambas as histórias) só atrairia ódio entre fãs das duas obras. A saída foi abusar do título de série para a TV mais cara da história.
Esse título é questionável, na verdade. E depende de como você calcula, com o resultado variando se dividir todo o montante gasto por minuto exibido, ou comparar gasto por temporada, ou ainda comparar apenas o gasto total. De qualquer jeito, “Game of Thrones” é uma das poucas séries que dedica boa parte do orçamento ao design de produção (diferente de shows como “Two And a Half Men” que gastava tudo em salários inflados para os atores).
Claro, a primeira coisa que chama atenção são os cenários. Os diferentes climas e paisagens são mais ou menos reais, como esse vídeo deixa bem claro:

Gemma Jackson, designer de produção de “Game of Thrones”, falou em uma entrevista que tudo é real na série até uns seis metros de altura. Acima disso é usado CGI, como o vídeo aí em cima mostra. Tanto a construção dos espaços quanto a recriação digital dos castelos e casas custam bastante dinheiro. A coisa ainda piora quando lembramos que são diversas equipes de filmagem, divididas entre técnicos, atores e produtores, espalhadas por toda a Europa. Croácia, Irlanda, Marrocos, Islândia e Malta são alguns dos países que servem de cenário para a trama.
Um título, porém, é irrevogável: o de episódio mais caro da televisão. Os produtores David Benioff e D. B. Weiss afirmaram que a HBO desembolsou mais de US$ 2 milhões para “Blackwater”, o penúltimo episódio da segunda temporada, que envolve uma batalha para defender King’s Landing da invasão dos navios de Stannis Baratheon, que se sente o herdeiro do trono de ferro (sequência que encontra paralelo no penúltimo episódio da quarta temporada, “The Watchers on the Wall”, que acompanha Jon Snow defendendo a Muralha). Essas imagens dão uma ideia de onde o dinheiro foi gasto:
Os grandes cenários e batalhas épicas atraem o olhar (para nem falar na nudez e na violência explícita), distraindo o espectador dos pequenos detalhes de produção de “Game of Thrones”. Cada roupa é pensada nos mínimos detalhes, tanto em relação ao que seria usado em cada região de Westeros, quanto em relação aos personagens. A Patrulha da Noite usa pele e couro em tons de preto, enquanto os moradores de Winterfell usam variações de marrom, lembrando a Inglaterra Medieval. Os moradores de King’s Landing já usam roupas que parecem países como Itália e Espanha renascentistas, enquanto os Dothraki mostram mais a pele e usam calças de couro para ajudar a montar seus adorados cavalos. Dessa forma, quando um extra passa pela tela já conseguimos identificar exatamente onde é situada aquela parte da trama, questão cada vez mais importante na medida em que novos reinos ganham relevância (a quinta temporada deverá mostrar Dorne e Bravos, ainda inéditos).
Mas a riqueza de detalhes vai ainda além. O Cracked, em um artigo do final do ano passado, fez o favor de mostrar como as roupas de “Game of Thrones” ajudam a contar a história. Começando pela bata azul de Daenerys Targaryen, cujo tecido vai se assemelhando mais e mais à escamas ao longo de sua trajetória. Isso apenas em uma temporada. Não custa lembrar que seus trajes, quando ainda era a inocente noiva de Khal Drogo, eram bem mais europeus, mas foram mudando aos poucos à medida em que ela se integrava aos Dothraki.
Outro exemplo dado pelo Cracked é o vestido usado por Sansa Stark quando ela se casa com Tyrion Lannister. Dá só uma olhada em como a faixa em torno de seu tronco conta toda a sua história até então:
Por conta de tudo isso é que “Game of Thrones” tem tudo para se tornar uma daquelas séries que não verá seu auge só agora, enquanto ainda é exibida. Na medida em que as pessoas forem revendo e revendo as temporadas mais e mais relações deverão aparecer. Seja pelos detalhes de produção, seja pelas tramas. Ainda assim, é mais empolgante fazer parte disso agora, enquanto ela ainda está em processo de produção.
“Game of Thrones” volta dia 12 de abril na HBO.